26 janeiro 2026

A Regra dos 3,5%

A chamada teoria (ou regra) dos 3,5% tem origem em estudos sobre política e comportamento coletivo, que observaram a conduta humana e concluíram que apenas 3,5% da população, quando bem organizada, coesa e perseverante, pode ser suficiente para provocar a ruptura de um sistema político, social ou econômico.

Em termos históricos, há exemplos em que essa teoria se mostrou eficaz. Na Índia, o movimento liderado por Mahatma Gandhi, e nos Estados Unidos, a luta pelos direitos civis conduzida por Martin Luther King Jr., demonstram como minorias bem estruturadas conseguiram promover mudanças profundas. Por outro lado, também existem casos em que a teoria não se confirmou, sobretudo quando a adesão foi numerosa, porém desorganizada ou carente de objetivos claros, fazendo com que o movimento perdesse força ao longo do tempo.

De um lado, temos grupos da sociedade se organizando; de outro, governos e instituições buscando se defender. Atualmente, as redes sociais exercem papel ambíguo: ao mesmo tempo em que favorecem a mobilização rápida e em tempo real, também podem fragilizar os movimentos, pois a intensidade inicial nem sempre se sustenta a longo prazo. A explosão de engajamento costuma ser forte, mas frequentemente carece de coesão e continuidade.

Tudo parece estar centrado na primeira faísca. O poder de combustão de um fósforo é pequeno, mas, ao entrar em contato com palha seca, pode se alastrar em segundos e até consumir uma floresta inteira. Eis o poder de uma semente minúscula, capaz de impulsionar uma cidade, um estado, um país — e até o mundo.

Já alertava um provérbio chinês que “uma caminhada de mil léguas começa com o primeiro passo”. No início, esse passo pode ser hesitante e vacilante, mas, se houver continuidade — mesmo “com os joelhos desconjuntados”, como diria o apóstolo Paulo —, o advento do êxito se torna cada vez mais próximo.

Por fim, somente a perseverança na defesa de uma ideia é capaz de conduzi-la ao sucesso. O restante é fogo-fátuo, que se dissipa e acaba ficando pelo meio do caminho.

12 janeiro 2026

Orbán e o Destino da Hungria

Em 10 de janeiro de 2026, o primeiro-ministro húngaro, Viktor Orbán, proferiu um discurso no congresso do seu partido Fidesz em Budapeste, em que afirmou: "na primavera de 2026, escolheremos nosso destino: o caminho da paz ou o caminho da guerra". 

Ao abrir o discurso, o primeiro-ministro Orbán anunciou que a aliança governista divulgaria publicamente seus 106 candidatos distritais, descrevendo-os como prontos para apoiar e defender uma Hungria independente após mais uma vitória eleitoral. A lista inclui 65 candidatos que já haviam participado e 41 novos candidatos. O primeiro-ministro Orbán também afirmou que o partido precisa se renovar constantemente, acrescentando que "só o Fidesz é melhor que o Fidesz".

O primeiro-ministro Orbán indicou o dia 20 de fevereiro como a próxima data crucial, quando o partido apresentará sua lista nacional e o líder da lista. Ele afirmou que, após 20 anos como primeiro-ministro, continua "pronto para a tarefa" e observou que, entre os líderes internacionais, ainda é considerado relativamente jovem.

Ao analisar o histórico do partido desde a adesão à UE, o primeiro-ministro Orbán afirmou que o Fidesz venceu todas as eleições para o Parlamento Europeu e conquistou quatro eleições parlamentares com maioria de dois terços. Ele descreveu a "previsibilidade", a "segurança" e a "experiência" como as qualidades de que a Hungria precisa e disse que a transição geracional dentro do Fidesz está ocorrendo em estruturas "ordenadas".

Em relação à economia, o primeiro-ministro Orbán afirmou que o governo prometeu um modelo baseado no trabalho e cumpriu a promessa. Ele citou dados salariais, declarando que, de 2010 a 2026, o salário mínimo subiu de 73.000 florins para 323.000, e o salário médio, de 202.000 para 700.000 florins. Para o próximo ciclo governamental, ele estabeleceu duas metas principais: um salário mínimo de € 1.000 e um salário médio de 1.000.000 de florins.

O primeiro-ministro Orbán destacou o sistema tributário familiar da Hungria e afirmou que o país precisa de "confiança serena" em uma "era de perigos". Nas eleições de 2026, acrescentou, a disputa não é apenas contra adversários políticos, mas também contra "mentiras", "cinismo" e "submissão".

Sobre a imigração, o primeiro-ministro Orbán argumentou que certas decisões são irreversíveis, afirmando que, uma vez admitidos os imigrantes, os países não podem retornar ao seu estado anterior. Ele disse que Bruxelas está pressionando os Estados-membros da UE a se tornarem "países de imigrantes", a menos que se rebelem, descreveu Bruxelas como inimiga da civilização cristã europeia e afirmou que as instituições da UE usam instrumentos legais contra países "rebeldes" citando a multa de um milhão de euros por dia imposta à Hungria. Ele acrescentou que essa penalidade é um preço menor do que o custo de se tornar um "país de imigrantes".

Ao relacionar a migração com a segurança, o primeiro-ministro Orbán afirmou que ela traz violência e "antissemitismo violento", e alegou que famílias judias da Europa Ocidental estão se mudando para a Hungria em números crescentes. Ele disse que o Fidesz-KDNP é a única força política capaz de garantir a segurança dos judeus em Budapeste.

Sobre política de gênero, o primeiro-ministro Orbán afirmou que seguir o "caminho político de Bruxelas" tornaria a adoção de políticas de gênero obrigatória. Ele alertou contra a "sensibilização", dizendo que ela atinge a todos, altera a mentalidade das crianças e muda os alicerces culturais de um país.

Na seção central sobre política externa, o primeiro-ministro Orbán afirmou que a Hungria enfrenta "dois caminhos": guerra ou paz. Ele disse que o Tisza e o DK levariam a Hungria a uma "economia de guerra de Bruxelas" e argumentou que os lideres da UE optaram pela guerra sem ter os recursos necessários para sustentá-la. Ele afirmou que a Ucrânia não reembolsará os € 270 bilhões que recebeu da UE e que a Europa só recuperará esse dinheiro derrotando a Rússia — caso contrário, ele será retirado da própria economia europeia.

Ao abordar as tendências globais, o primeiro-ministro Orbán afirmou que a ordem internacional liberal está em colapso e que a era das nações está chegando. Ele citou Washington, Pequim, Moscou e Istambul como capitais "interessadas" no sucesso da Hungria e disse que o país está firmando acordos para garantir sua segurança. Destacou os compromissos da politica industrial, incluindo um plano para construir 150 fábricas, das quais 101 já estão em construção, e concluiu reiterando que a primavera de 2026 será o momento de "escolher nosso destino".

Extraído de https://www.youtube.com/watch?v=2Pe_uN7mTpE&t=3738s (aos 53 minutos do vídeo)


03 janeiro 2026

Movimento Patriótico Nacional: Algumas Notas

A falta de coordenação no apoio a Eduardo Bolsonaro e a tardia coesão em torno da candidatura de Flávio são uma clara demonstração de que o movimento patriótico nacional ainda não amadureceu o suficiente. O bolsonarismo, embora tenha amplo apoio popular, não criou as macroestruturas que organizam um movimento político. O resultado é uma bancada heterogênea, em que os deputados do PL não se sentem na obrigação de seguir uma liderança, e muito menos uma agenda de longo prazo.

Ao observar com atenção o cenário político nacional, percebe-se que existem de fato apenas dois movimentos realmente políticos com uma agenda para pautar a pólis. De um lado, o petismo com seus partidos associados; de outro, o tucanismo. São as únicas forças que dispõem de uma estratégia de longo prazo e de uma ação consequente ao longo do tempo, orientada para conquistar ou preservar o poder. Todo o restante tem pouca relevância estrutural.

No Brasil, confunde-se frequentemente o que seja um movimento político com o que é, em essência, apenas um aglomerado de políticos. O MDB, por exemplo, não se comporta como partido no sentido rigoroso do termo. Não apresenta estratégia, não possui objetivo definido; funciona, antes, como um conjunto de votos disponível à venda, a ser adquirido ora pelos tucanos, ora pelos petistas, na ausência de qualquer outro comprador relevante. Discute-se, assim, um conjunto de temas politicamente periféricos, enquanto a estrutura real do poder permanece praticamente intocada. Em termos objetivos, há três fenômenos principais: o petismo articulado, o tucanismo articulado cuja ligação com estruturas internacionais é mais profunda e um movimento popular acéfalo.

Este "movimento popular" não chega propriamente a configurar um movimento; trata-se, antes, de uma revolta difusa da população. Não se pode falar em movimento político sem a existência de um objetivo claro. O que aparece, no entanto, é um mosaico de objetivos dispersos: instaurar uma democracia próspera e pujante, resolver os problemas da segurança pública — sem descrever como isso será feito, entre muitos outros. São milhares de objetivos soltos, absolutamente inconexos e, com alguma frequência, politicamente irrelevantes.

Os tucanos, por sua vez, possuem um plano de longo prazo, contam com apoio internacional, dispõem de conexões orgânicas e configuram um movimento político estruturado; compreender esse dado é essencial. Representam, em grande medida, a expressão local da nova ordem mundial, do globalismo e do poder exercido por organismos internacionais. Encarnam, portanto, esse conjunto de forças. Trata-se, em larga medida, da turma formada em torno da London School of Economics, herdeira direta da tradição fabiana. Tanto o tucanismo quanto o petismo se apresentam, assim, como ramificações locais de movimentos internacionais dotados de história, continuidade e doutrina: o primeiro associado à tecnocracia globalista de corte fabiano; o segundo, ao movimento comunista internacional, com sua tradição de cerca de 150 anos.

Assim, ao se considerar que correntes de ideias efetivamente estruturadas estão disponíveis no Brasil, o quadro se afunila: existem, em termos amplos, duas grandes matrizes ideológicas — o marxismo e o liberalismo. Apenas esses grupos apresentam uma agenda de longo prazo, um projeto político nacional.

Como será possível deter esses agentes políticos sem apresentar uma agenda contrária? Como o bolsonarismo pode vencer sem ter um projeto político?

Extraído, por volta de 25 minutos, do vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=4fobNbtGThU&t=4633s


29 dezembro 2025

Economia Brasileira: Pib e Renda per Capta

O Brasil, tendo à disposição uma área territorial extensa, a maior reserva absoluta de água doce do mundo e, também, a maior reserva de água limpa per capita, além da abundância de recursos naturais variados, não tem sido capaz de se aproximar do conjunto dos países desenvolvidos, composto pelos 30 países de maior renda por habitante entre as 193 nações filiadas à Organização das Nações Unidas (ONU).

O Brasil está na 11ª colocação entre as maiores economias do mundo. Isso pelo lado do PIB, pois seu valor é de US$ 2,2 trilhões/ano para uma população de 212 milhões de habitantes; isso resulta em um PIB por habitante de US$ 10,4 mil dólares. Nos Estados Unidos, esses mesmos dados indicam um PIB de US$ 29 trilhões para uma população de 340 milhões de habitantes, o que dá US$ 85,3 mil dólares de PIB per capita ao ano.

Quando se divide o PIB pelo total de habitantes, o Brasil fica em torno da 65ª posição, a depender do momento em que a medida é compilada. Veja-se o caso da Dinamarca: o país europeu tem um PIB de US$ 465 bilhões, o que indica uma economia pequena, em 41º lugar entre os maiores PIBs do mundo. Mas, com população próxima de 6 milhões de habitantes, a renda por habitante no país é de US$ 77,6 mil, o que dá à Dinamarca o nono lugar no ranking do desenvolvimento econômico pelo critério da fração da renda nacional para cada habitante do país.

A economia brasileira é grande em termos absolutos, mas pequena em comparação com as economias desenvolvidas, refletindo limitações estruturais e baixo avanço científico e tecnológico. O crescimento do PIB não supera de forma consistente o aumento populacional, o que dificulta a melhoria do desenvolvimento. Soma-se a isso a baixa inserção internacional do país e a pouca participação no comércio mundial. A insuficiência em inovação, pesquisa e produtividade limita o potencial de expansão econômica. Assim, o Brasil permanece distante dos padrões de renda e progresso das nações desenvolvidas.

Outro entrave central é a baixa produtividade dos impostos, decorrente de gastos públicos ineficientes, corrupção e inchaço estatal, que geram serviços precários frente à elevada carga tributária. A instabilidade política, insegurança jurídica e regras econômicas imprevisíveis desestimulam investimentos e crescimento. Predominam ações reativas do Estado, voltadas a corrigir problemas internos, em vez de políticas ativas voltadas à expansão produtiva e à inovação. A fuga de capitais e os baixos investimentos em infraestrutura reforçam esse cenário. Como consequência, o país cresce pouco e mantém elevados déficits sociais.

Fonte de Consulta

Editorial Gazeta do Povo — Em: https://luizberto.com/economia-brasileira/


24 dezembro 2025

Index Librorum Prohibitorum

Index” (ou índice) tem como ideia-base apontar, organizar ou medir. Pode ser usado em livros, documentos e informática. É a referência organizada que ajuda a encontrar, medir ou acessar algo com mais eficiência. Index Librorum Prohibitorum (Índice de Livros Proibidos). Lista oficial da Igreja Católica que indicava quais livros eram considerados perigosos para a fé ou a moral. Existiu formalmente de 1559 até 1966. Incluía obras de filósofos, cientistas e teólogos, como Galileu, Descartes, Kant, entre outros. 

Objetivo. Orientar os fiéis sobre leituras consideradas inadequadas, não apenas censurar por censurar, mas proteger a ortodoxia segundo a visão da época. Para tanto, confeccionava uma lista ou catálogo de textos, regras, livros aceitos ou rejeitados. Abolido em 1966, mas a Igreja mantém a ideia de discernimento moral sobre leituras, sem uma lista formal obrigatória. Em outras tradições religiosas, podem existir listas de livros canônicos, apócrifos ou proibidos, mesmo que não usem o nome “index”.

Surgimento, funcionamento e impacto histórico. Surgiu no século XVI, num contexto da Reforma Protestante, que era a disputa direta de ideias religiosas, de muitos livros circulando rápido, fora do controle. Funcionava como uma lista oficial atualizada periodicamente, na qual alguns livros eram totalmente proibidos, outros permitidos após correções, outros ainda permitidos somente para especialistas. Em se tratando do impacto histórico: 1) positivo — preservou a unidade doutrinal e evitou leituras superficiais e distorcidas da fé; 2) negativo (visto hoje): limitou a liberdade intelectual; atrasou o diálogo com a ciência moderna; criou tensão entre fé e razão. Tornou alguns autores ainda mais famosos (efeito “livro proibido”)

A relação entre Index e Inquisição é direta, mas eles não são a mesma coisa. A ligação essencial: 1) ambos surgem nos séculos XVI–XVII); 2) ambos buscavam proteger a fé católica; 3) ambos lidavam com a ideia de heresia, mas de modos distintos. Inquisição era um tribunal religioso que julgava pessoas e investigava heresias, desvios doutrinários. Focava comportamento e crença das pessoas. Index Librorum Prohibitorum era uma lista de livros que julgava ideias registradas em textos. Indicava quais obras não deviam ser lidas ou corrigidas. Focava o conteúdo intelectual.

O cruzamento. Muitas vezes, a Inquisição analisava livros suspeitos. Se um texto fosse considerado perigoso: 1) o autor podia ser investigado pela Inquisição; 2) o livro podia entrar no Index. Exemplo clássico: Galileu Galilei — Julgado pela Inquisição. Suas obras colocadas no Index. Diferença-chave (em uma frase): Inquisição controla pessoas e crenças; Index controla livros e ideias.

A proibição tem nome, chama-se “efeito do fruto proibido” ou efeito Streisand (conceito moderno): Tentar suprimir uma ideia pode torná-la mais atraente e visível. Em se tratando do Index e da Inquisição, aconteceu exatamente isso: livros colocados no Index circulavam mais, de forma clandestina; autores proibidos ganhavam prestígio intelectual; ideias reprimidas viravam símbolos de resistência. A repressão ajudou a fixar a narrativa de “Igreja vs. razão”. Galileu é o exemplo clássico: o julgamento não apagou suas ideias — ajudou a eternizá-las.

Frases de efeito: Proibir pode calar por um tempo, mas costuma gritar para a história. Censura raramente nasce do ódio ao outro — nasce do medo de perdê-lo ou de perder a si mesmo.

Fonte de Consulta

ChatGPT

 

21 dezembro 2025

Os Cinco Períodos Históricos

De acordo com a convenção histórica criada por historiadores europeus, há cinco períodos históricos: 1) Pré-História, que começa com o surgimento dos primeiros seres humanos até c. 4.000 a.C., com a invenção da escrita; 2) Idade Antiga — c. 4.000 a.C. até 476 d.C., com a queda do Império Romano no Ocidente; 3) Idade Média — 476 até 1453 (queda de Constantinopla) ou 1492 (chegada dos europeus à América); 4) Idade Moderna — 1453 ou 1492 até 1789 com a Revolução Francesa; 5) Idade Contemporânea — 1789 até os nossos dias.

As características de cada período podem ser assim resumidas: 1) Pré-História — não havia escrita. Subdivisões:  Paleolítico, Mesolítico e Neolítico; 2) Idade Antiga — primeiras civilizações, tais como, egípcios, mesopotâmicos, gregos e romanos. 3) Idade Média — marcada pelo feudalismo, forte influência da Igreja e formação dos reinos europeus; 4) Idade Moderna — período das grandes navegações, do absolutismo e do Renascimento; 5) Idade Contemporânea — revoluções industriais, guerras mundiais e o mundo atual.

René Descartes (1596-1650) se encaixa no período moderno. Por quê? Ele está ligado a características centrais desse período, ou seja, do Renascimento científico, do racionalismo, da valorização da razão e do método científico. Considerado um dos pais Filosofia Moderna e, também, famoso por sua frase lapidar “penso, logo existo” (cogito, ergo sum). Rompeu com a tradição, ao afirmar que a razão humana, sozinha, pode alcançar verdades seguras. Dizia que não se deve aceitar nada sem questionar. O conhecimento pertence ao sujeito que pensa e não o que vem da tradição.

Há uma sensação de que a Idade Moderna avança sobre a Idade Contemporânea. Em primeiro lugar, devemos entender que a divisão das “idades” é artificial. As idades não são muros, mas uma convenção criada entre os historiadores. Ideias, costumes e estruturas continuam por muito tempo, mesmo após as datas simbólicas. A Revolução Francesa (1789) é um marco didático, não um corte real. Exemplos: a ciência racional surge na Idade Moderna e se expande na Idade Contemporânea. O mesmo podemos dizer do capitalismo, do Estado moderno e do Individualismo.

Sobre a sensação de que uma idade avança na subsequente, analisemos:

Revolução Francesa — Antes de 1789 (Idade Moderna): 1) existia o absolutismo monárquico; 2) a sociedade era dividida em estamentos [divisões sociais rígidas]; 3) as ideias do iluminismo criticavam o poder do rei. Depois de 1789: 1) absolutismo foi demolido na França; 2) surgem ideias de igualdade, cidadania e direitos; 3) consolidação do Estado liberal. Atenção: ideias iluministas nasceram na Idade Moderna, porém continuaram influenciando a mundo na Idade Contemporânea. 

Aspectos econômicos — Idade Moderna: havia o capital comercial, baseado no mercantilismo; forte influência do Estado; lucro pelo acúmulo de metais preciosos. Idade Contemporânea:  o capitalismo não acaba mas se transforma; surge o capitalismo industrial; com a Revolução Industrial, a produção passa a ser feita em fábricas; lucro vem principalmente da indústria e dos trabalhadores assalariados. 

Fonte de Consulta

ChatGPT

 

04 dezembro 2025

A Tirania dos Medíocres

A cicuta de Sócrates não foi um erro de percurso, mas a consequência lógica de um sistema onde a verdade é submetida ao escrutínio de quem não sabe o que é verdade ou a procura.

Há uma romantização quase infantil, repetida à exaustão por analistas de redação e cientistas políticos de fim de semana, de que a democracia é o remédio universal para todas as mazelas humanas. Esquecem-se, ou fingem esquecer, que a cena fundadora da política ocidental não é um abraço coletivo em praça pública, mas um assassinato judicial. Sócrates, o pai da filosofia, não foi calado por um tirano sanguinário de terras bárbaras. Quem lhe serviu a cicuta foi o "povo", o sagrado demos, no pleno exercício de sua vontade majoritária. A Atenas que se orgulhava de suas liberdades usou as urnas para extinguir a inteligência. Platão, atônito, aprendeu ali a lição que insistimos em ignorar dois milênios depois: a democracia pode ser, e frequentemente é, apenas a tirania legitimada pela contagem de cabeças.

Em A República, Platão não tratou a democracia como uma "entidade inquestionável", mas como uma doença autoimune da pólis. Para ele, o sistema é um convite aberto ao caos. O império da opinião (doxa), governado pelo humor flutuante das massas, não abre alas para o estadista, mas estende o tapete vermelho para o demagogo. Não o tirano clássico, que toma o poder pela espada, mas o déspota insidioso, manufaturado pela lisonja e pela retórica barata. O raciocínio é devastador: quando a verdade precisa ser validada pelo voto da maioria, a mentira torna-se, inevitavelmente, política de Estado. Se a lógica cede lugar à emoção histérica, a política degenera em espetáculo. A tirania não é o oposto da democracia; paradoxalmente, é o seu filho natural, nascido no momento exato em que a multidão decide que sua vontade vale mais qualquer lei ou instituição.

É preciso ter a coragem de dizer o óbvio ululante: a maioria pode ser, sim, tirânica. Benjamin Franklin, com a lucidez que falta aos nossos constituintes de 88, resumiu: "Democracia são dois lobos e uma ovelha decidindo o que teremos para o jantar".

Esse cenário de caos organizado encontra sua explicação perfeita na profecia de José Ortega y Gasset. O filósofo espanhol, em A Rebelião das Massas, diagnosticou o surgimento da "hiperdemocracia". Grosso modo, é o império do homem-massa: um indivíduo esvaziado de história, satisfeito com sua própria mediocridade, que se sente no direito de impor seus desejos vulgares como se fossem leis universais. O homem-massa é a criança mimada da história; ele exige todos os direitos da civilização, mas recusa qualquer dever ou freio moral. Ele não quer debater; ele quer impor. E ai de quem discordar do coro — será cancelado, processado ou silenciado pelo tribunal da virtude pública.

Hoje, os demagogos previstos por Platão sofisticaram seus métodos. Não precisam mais gritar "Barrabás" na Ágora; basta manipular o algoritmo. O ciclo contínuo de notícias e a polarização de torcida organizada criaram o ambiente perfeito para a degradação: a razão afogada pelo ruído e a verdade diluída até se tornar irreconhecível. Vivemos sob a ilusão de liberdade porque podemos escolher entre duas opções de servidão.

A saída não é "mais democracia", como repetem os papagaios do progressismo, mas o resgate da República — no sentido estrito de Rule of Law, o governo das leis e não dos homens. Uma ordem onde instituições sólidas e a alta cultura protejam a sociedade dos caprichos da turba. Enquanto continuarmos a acreditar que a vontade de 50% mais um é sinônimo de justiça, continuaremos a servir a cicuta aos nossos melhores, aplaudindo bovinamente a nossa própria ruína.

Cópia de Marcos Paulo Canderoro in: https://candeloro.substack.com/p/a-tirania-dos-mediocres



23 outubro 2025

Ranieri Mazzilli

Nome completo: Pascoal Ranieri Mazzilli

Nascimento: 27 de abril de 1910, em Caconde (SP)

Falecimento: 21 de abril de 1975, em São Paulo (SP)

Profissão: Advogado, jornalista e político

Partido principal: PSD (Partido Social Democrático)

Ranieri Mazzilli foi uma figura importante na história política do Brasil, especialmente por ter assumido duas vezes a Presidência da República de forma interina em momentos de crise.

Carreira política. Foi deputado federal por São Paulo durante vários mandatos. Tornou-se Presidente da Câmara dos Deputados entre 1958 e 1965. Por ocupar esse cargo, era o primeiro na linha de sucessão presidencial, o que o levou ao cargo máximo do país em momentos excepcionais.

Como Presidente da República interino:

Agosto de 1961. Quando o então presidente Jânio Quadros renunciou inesperadamente (25 de agosto de 1961). Como o vice-presidente João Goulart estava em viagem oficial à China, Mazzilli, presidente da Câmara, assumiu provisoriamente a presidência (de 25 de agosto a 7 de setembro de 1961). Seu governo foi de transição, até que Goulart retornasse e se resolvesse a crise — o que levou à adoção do parlamentarismo, permitindo a posse de Jango.

Abril de 1964. Após o golpe militar de 31 de março de 1964, que depôs João Goulart, Mazzilli voltou a assumir interinamente (de 2 a 15 de abril de 1964) até que os militares escolhessem o novo presidente, o marechal Humberto de Alencar Castelo Branco.

Legado. Mazzilli é lembrado como um político moderado e legalista, que cumpriu papel institucional importante durante momentos de instabilidade. Não foi um presidente de fato com poder político próprio, mas garantiu a continuidade constitucional em períodos críticos.

Fonte de Consulta

ChatGPT

22 outubro 2025

Resumo Geral da História do Brasil

Para despertar o interesse pelo estudo da história do Brasil, este resumo oferece uma visão geral de todo o processo ocorrido (antes de 1500 até nossos dias). O Dia do Descobrimento do Brasil é comemorado em 22 de abril. A data marca a chegada da frota portuguesa liderada por Pedro Álvares Cabral ao território em 1500. 

Observação: Atualmente, muitos historiadores questionam o uso da palavra "descobrimento", já que o território brasileiro era habitado por milhões de povos indígenas com suas próprias culturas e organizações sociais. O termo mais adequado seria "chegada" dos portugueses.

1. Brasil Pré-Cabralino (antes de 1500)

Antes da chegada dos portugueses, o território era habitado por milhares de povos indígenas, com culturas, línguas e modos de vida variados. Estima-se que havia entre 2 e 5 milhões de indígenas.

2. Descobrimento e Colonização (1500-1822)

1500: Pedro Álvares Cabral chega ao Brasil.

1530–1549: Início da colonização efetiva, com capitanias hereditárias e o cultivo de cana-de-açúcar.

1549: Fundação de Salvador, primeira capital.

Séculos XVI–XVII: Escravidão indígena e africana sustentam a economia.

Século XVIII: Ciclo do ouro em Minas Gerais.

1808: Chegada da Família Real Portuguesa ao Brasil, fugindo de Napoleão.

1815: Brasil torna-se Reino Unido a Portugal e Algarves.

3. Império do Brasil (1822–1889)

1822: Dom Pedro I proclama a Independência.

1824: Primeira Constituição.

1840: Dom Pedro II assume o trono.

1870–1888: Campanhas abolicionistas.

1888: Abolição da escravidão (Lei Áurea).

1889: Proclamação da República.

4. República (1889–presente)

República Velha (1889–1930): domínio das oligarquias (café com leite).

Era Vargas (1930–1945): Getúlio Vargas centraliza o poder e moderniza o país.

República Populista (1946–1964): instabilidade política e social.

Ditadura Militar (1964–1985): censura, repressão e crescimento econômico.

Nova República (1985–presente): redemocratização, Constituição de 1988 e desafios econômicos e políticos.

16 outubro 2025

A Aventura do Dinheiro: Uma Crônica da História Milenar da Moeda (Notas de Livro)

Título: A Aventura do Dinheiro: Uma Crônica da História Milenar da Moeda

Autor: Oscar Pilagallo

PILAGALLO, Oscar. A Aventura do Dinheiro: Uma Crônica da História Milenar da Moeda. São Paulo: Publifolha, 2009.

1 — Papai, o Que É Dinheiro?

"O que é dinheiro?" é a pergunta do garoto ao pai, o senhor Dombey, personagem-título do romance Dombey and Son, do inglês Charles Dickens, publicado em meados do século 19. Quando a história começa, Dombey é rico e orgulhoso; perto do fim, está falido e humilhado.

05 outubro 2025

Princípios de Política Econômica (Notas de Livro)

Prefácio 

Princípios é uma palavra muito empregada; eu não poderia, contudo, ter escrito este livro se não acreditasse que há princípios estáveis de Política Econômica, cuja compreensão habilita o político e o público a formar juízos mais prudentes sobre tais assuntos. 

Capítulo 1 — Que é Política Econômica?

Definição de política. A palavra "Política" refere-se, geralmente, aos princípios que governam a ação dirigida para determinados fins. Qualquer estudo de política deveria, portanto, relacionar-se com três fatos — o que desejamos (os fins), como consegui-lo (os meios), e quem somos "nós", ou seja, qual a natureza da organização ou grupo interessado. 

A ciência se preocupa mais com os meios do que com os fins. 

A Sabedoria de Winston Churchill: Palavras de Guerra e Paz (Notas de Livro)

Título: A Sabedoria de Winston Churchill: Palavras de Guerra e Paz

Autor: Sean Lamb

Assunto: Compilação de citações e discursos de Winston Churchill, focando em sua sabedoria em tempos de guerra e paz. 

Sobre o conteúdo: O livro explora a mente e a personalidade de Winston Churchill, incluindo seus discursos inspiradores proferidos em momentos críticos para a Grã-Bretanha, como durante a Segunda Guerra Mundial. Ele oferece uma visão sobre o legado do estadista, escritor e orador, que também foi duas vezes primeiro-ministro do Reino Unido. 

23 setembro 2025

Teatro das Tesouras: Como Raciocinar Bem em Política

O chamado teatro das tesouras representa o rodízio de poder entre grupos ou partidos que, embora se apresentem como rivais, partilham os mesmos vícios estruturais: clientelismo, fisiologismo e uso da máquina pública em benefício próprio. Exemplo marcante desse mecanismo foi a alternância entre PT e PSDB.

Esse modelo de atuação se consolidou ao longo do tempo, dando origem ao que muitos chamam de “sistema”. Quem ousa enfrentá-lo costuma ser alvo de inquéritos, campanhas de difamação ou até mesmo punições desproporcionais, como prisões motivadas por opinião.

Para transformar esse status quo, é preciso aperfeiçoar nosso olhar sobre a política. Isso significa: separar discurso de prática; distinguir política (voltada ao bem comum) de politicagem (orientada a interesses pessoais); escapar da armadilha da polarização promovida pela “aliança das tesouras”; investigar a origem e o destino do financiamento de campanhas, sempre “seguindo o dinheiro”.

Nesse sentido, é útil compreender as diferenças entre o estadista e o politiqueiro.

O estadista: pensa em longo prazo; assume responsabilidades ao tomar decisões; respeita a lei; educa e esclarece a população; busca elevar o nível de consciência do povo.

Já o politiqueiro: enxerga apenas o curto prazo; busca agradar para manter aprovação; concentra o poder em torno de seu personalismo; manipula as massas com promessas fáceis; oferece “soluções mágicas” e benesses insustentáveis para garantir apoio. 

 

Funeral de Charlie Kirk

A frase “Pai, perdoa-lhes, pois não sabem o que fazem” (Lucas 23:34) é uma das mais conhecidas do Evangelho. Nela, Jesus, crucificado, pede a Deus que perdoe aqueles que o executavam, por não compreenderem a dimensão de seu ato. Esse episódio é interpretado como a expressão máxima do amor e do perdão cristãos, ressaltando que perdoar beneficia tanto quem é perdoado quanto quem perdoa.

Essa passagem foi lembrada por Erika Kirk, esposa de Charlie Kirk, durante o funeral do marido, realizado em 21 de setembro de 2025. Após citá-la, afirmou perdoar o autor do crime e acrescentou que Charlie dedicava sua vida a alcançar jovens como aquele que o matou. Erika reforçou ainda o ensinamento de Jesus de amar até mesmo os inimigos.

Na ocasião, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que Charlie Kirk se tornara um “mártir da liberdade”. As declarações tiveram ampla repercussão internacional, sendo interpretadas tanto no campo religioso quanto no político.

Embora envolto em elementos ideológicos, o episódio chamou a atenção pela força do gesto de perdão de Erika, que impactou especialmente jovens em busca de referências espirituais.

A história mostra que ideias frequentemente sobrevivem aos seus defensores. Sócrates foi condenado à cicuta, mas sua filosofia permanece viva. Jesus foi crucificado, mas seus ensinamentos atravessaram os séculos. De modo semelhante, a morte de Charlie Kirk não apagou suas convicções, mas contribuiu para dar maior visibilidade a elas.

15 setembro 2025

O Espetáculo da Corrupção (Resumo de Livro)

Título do livro: O Espetáculo da Corrupção: Como um Sistema Corrupto e o Modo de Combatê-lo estão Destruindo o País. Walfrido Warde. Rio de Janeiro: LeYa, 2018.

Os capítulos do livro: — Pra Começo de Conversa — O Novelo de Ariadne — A Profecia de Belchior, na Voz de Elis — O Combate Inconsequente — Corrupção em Pílulas — O Desprezo aos Fundamentos e a Permeabilidade Seletiva — Os Números da Lava Jato — Corrupção Legal — Honestidade para Todo — J’Accuse — Por uma Política Nacional de Combate à Corrupção — Circus.

Sobre o autor: Walfrido Jorge Warde Júnior é advogado especializado em direito empresarial, com atuação forte nas intersecções entre Estado, empresas e regulação. O livro aparece em meio ao auge da discussão pública sobre Lava Jato, combate à corrupção, debates sobre impunidade, moralismo etc.

Principais teses:

1. Corrupção como sistema enraizado. Warde argumenta que a corrupção no Brasil não é algo pontual ou de indivíduos maus, mas sim um sistema estruturado — com atores, incentivos, instituições e práticas recorrentes — que se reproduz.

2. Problemas no modo de combate atual. Ele critica a forma como o combate à corrupção tem sido conduzido, dizendo que, embora necessário, esse combate tem causado danos colaterais severos: destruição de empresas, desestímulo à iniciativa privada, desemprego etc.

3. Espetacularização versus banalização. Uma ideia-chave é como a corrupção virou espetáculo público — cada escândalo vira show de mídia, há uma espécie de moralismo público — ao mesmo tempo em que a corrupção é banalizada no sentido de que muitas práticas corruptas vão sendo aceitas, justificadas ou ignoradas.

4. Danos à economia, às empresas, à política. Empresas foram arruinadas ou fragilizadas em processos anticorrupção; mercados importantes sofreram. Isso causa efeitos sociais negativos: desemprego, queda de investimento, prejuízo para desenvolvimento. Políticos passíveis de punição, mas também há risco de judicialização/politização excessiva do processo, com efeitos sobre instituições, liberdades, etc.

5. Necessidade de um “combate equilibrado”. Warde propõe que não se precisa “destruir” o capitalismo, nem rédeas de empresas ou da política; é possível combater a corrupção de forma que preserve instituições, empresas saudáveis, economia, empregos. 

6. Propostas de reforma. Criação de uma política de combate à corrupção que seja coordenada entre poderes, com planejamento. Estruturas de compliance mais robustas nas empresas — detecção, prevenção. Priorizar o ressarcimento ao erário (“cofres públicos”) em vez de vingança política. Evitar excessos que possam violar direitos fundamentais no processo de combate. 

Críticas. Warde reconhece que a Lava Jato desempenhou papel importante, acusando e punindo corruptos, mas ele aponta que houve consequências negativas (empresas destruídas, destruição de valor econômico, efeitos colaterais não intencionados). Também alerta para o risco de moralismo barato — ou seja, discursos que pedem punição pela pena, mas sem cuidado com processos justos, com impactos, com a proporcionalidade.

Importância do livro. O livro oferece uma crítica ao modelo dominante de combate à corrupção, argumentando que, se não for bem calibrado, pode agravar problemas ao invés de solucioná-los. Traz reflexões que combinam direito, economia e política, úteis para quem quer entender o tema de forma mais complexa, não só no aspecto penal ou midiático. É patriótico no sentido de querer preservar estruturas democráticas, de justiça, e não ceder ao autoritarismo ou à destruição institucional em nome de combater a corrupção.